Botos-de-Lahille: veja como projeto no Litoral protege espécie ameaçada

Botos-de-Lahille: patrimônio natural e cultural do Sul do RS O boto-de-Lahille, espécie exclusiva das águas costeiras do Brasil, Uruguai e Argentina, enfrenta ameaças que colocam em risco sua sobrevivência. No…
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Botos-de-Lahille: patrimônio natural e cultural do Sul do RS

O boto-de-Lahille, espécie exclusiva das águas costeiras do Brasil, Uruguai e Argentina, enfrenta ameaças que colocam em risco sua sobrevivência.

No Rio Grande do Sul, o Projeto Botos da Lagoa dos Patos monitora e protege essa espécie há mais de cinco décadas, com apoio da Universidade Federal do Rio Grande (Furg).

Reconhecido como patrimônio natural e cultural do município de Rio Grande desde 2023, o boto-de-Lahille apresenta sua maior concentração no extremo sul da Lagoa dos Patos, com cerca de 90 a 100 indivíduos por ano.

A população global da espécie é estimada em apenas 600 animais.

Com até quatro metros de comprimento, 500 quilos e uma expectativa de vida máxima de 45 anos, esses mamíferos aquáticos são verdadeiros símbolos da biodiversidade regional.

História do projeto e evolução da pesquisa científica

Criado em 1974, inicialmente com foco no estudo da biologia e comportamento dos botos, o projeto se expandiu para atuar também em educação ambiental e envolvimento com comunidades pesqueiras.

A iniciativa surgiu a partir do Museu Oceanográfico Prof. Eliezer Carvalho Rios e consolidou parcerias estratégicas ao longo dos anos.

Segundo o biólogo Pedro Fruet, coordenador do projeto, os primeiros estudos ocorreram no Estuário, entre a Praia do Cassino e a Praia do Mar Grosso, em São José do Norte:

“Em 2005, o projeto ganhou força com parcerias que proporcionaram financiamento consistente. Popularmente, a espécie é chamada de boto-de-Lahille, boto do Rio Grande ou golfinho, dependendo da tradição local.”

A partir de 2007, a equipe multidisciplinar, com pesquisadores da ONG Kaosa e do Museu Oceanográfico, tornou-se referência internacional em monitoramento e conservação da espécie.

Monitoramento detalhado e tecnologia a favor da conservação

O trabalho de campo envolve monitoramentos embarcados, coleta de dados de fotoidentificação e biópsias, além de acompanhamento de mortalidade na costa.

A fotoidentificação utiliza imagens das nadadeiras dorsais para reconhecer individualmente 60% a 70% dos botos.

As biópsias, realizadas com dardos adaptados, fornecem amostras de pele e gordura para análise genética, hormonal e de contaminantes ambientais.

Já os monitoramentos de praia permitem examinar carcaças e coletar órgãos, crânios e esqueletos, contribuindo para estudos sobre mortalidade, surtos de doenças e impactos de eventos climáticos extremos.

“Com esses dados, conseguimos estimar abundância, acompanhar tendências populacionais e entender melhor a vida desses animais”, explica Fruet.

Ameaças que colocam a espécie em risco

Entre os principais fatores de risco estão a poluição e as capturas acidentais em redes de pesca, que podem causar ferimentos graves, perda de nadadeiras ou estresse extremo.

A redução dos estoques pesqueiros também afeta a disponibilidade de alimento para os botos.

O projeto atua para mitigar esses impactos, oferecendo educação ambiental, cursos de formação e testes de tecnologias que reduzam as capturas acidentais.

Além disso, há envolvimento direto com comunidades pesqueiras para fortalecer a proteção da espécie e promover políticas públicas.

Reconhecimento internacional e premiações

O trabalho desenvolvido pelo projeto recebeu destaque global. Em 2021, conquistou o Whitley Award, considerado o “Oscar Verde” da conservação ambiental, e recebeu R$ 300 mil para financiamento da pesquisa científica.

“Buscamos também disseminar a cultura local utilizando os botos como símbolo da biodiversidade e dos desafios da conservação marinha”, finaliza Fruet.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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