Boia Bravo: instalação em área de pesca no Atlântico gera alerta
Boia Bravo — o novo equipamento para medições offshore ligado a um projeto da Petrobras — virou motivo de preocupação entre pescadores artesanais de São José do Norte após sua implantação em uma área tradicional de pesca no oceano Atlântico.
A Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (SMAP) afirma que não recebeu consulta prévia nem informações essenciais sobre riscos, impacto no cotidiano da pesca ou tempo de permanência da boia instalada a algumas milhas dos Molhes da Barra.
Boia Bravo desperta apreensão em comunidade pesqueira do RS
A chegada da equipe técnica do SENAI do Rio Grande do Norte ao município chamou atenção pela forma como o processo ocorreu.
Segundo a SMAP, a visita teve caráter apenas informativo, sem qualquer debate prévio com a gestão municipal ou com os pescadores locais — que dependem diretamente da área onde o equipamento foi colocado.
Os técnicos apresentaram à pasta detalhes básicos do projeto: a Boia Bravo, sigla para Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore, integra um estudo da Petrobras em parceria com o Instituto SENAI de Inovação, financiado pela Aneel.
O equipamento tem a função de medir ventos, correntes e variáveis oceanográficas, dados essenciais para a implantação futura de usinas eólicas offshore no país.
Apesar da relevância científica e energética do projeto, a ausência de diálogo preocupa.
Falta de informações sobre riscos e impactos gera insegurança
A SMAP afirma que não recebeu qualquer documento técnico sobre riscos à navegação pesqueira, zona de exclusão ao redor da boia, impacto sobre redes e embarcações, nem mesmo o tempo de permanência do equipamento no local.
Além disso, não houve esclarecimento sobre procedimentos de segurança para pescadores que trafegam diariamente pela área e dependem dela para subsistência.
Licenciamento ambiental: SMAP diz desconhecer consultas às comunidades tradicionais
Outro ponto que preocupa a secretaria é a ausência de informações sobre o licenciamento ambiental conduzido pelo IBAMA.
Conforme o órgão municipal, não houve qualquer processo formal de consulta às comunidades tradicionais pesqueiras de São José do Norte — etapa obrigatória sempre que projetos interferem em territórios tradicionais ou atividades essenciais de subsistência.
A SMAP reforça que o licenciamento ambiental precisa considerar não apenas os aspectos técnicos, mas também os impactos humanos, sociais e econômicos, especialmente sobre pescadores que já enfrentam desafios recorrentes como restrições climáticas, custos elevados de operação e concorrência industrial.
Município apoia divulgação, mas segue cobrando transparência total
Mesmo diante das lacunas de informação, a SMAP informou que irá colaborar com a divulgação da localização exata da Boia Bravo para garantir que pescadores possam navegar com segurança.
No entanto, a secretaria reiterou que seguirá cobrando transparência, diálogo e participação efetiva na tomada de decisões.





















