Veículos a gasolina no RS representam 42% da frota estadual e podem sentir impactos caso o governo federal aumente o etanol na mistura do combustível.
Rio Grande do Sul tem milhões de veículos movidos apenas a gasolina
Mesmo com o avanço dos modelos flex e eletrificados, o Rio Grande do Sul ainda possui uma enorme dependência de veículos movidos exclusivamente a gasolina.
Um levantamento do Detran aponta que o Estado tinha 3,4 milhões de veículos apenas a gasolina em circulação até abril deste ano. O número representa cerca de 42% da frota gaúcha, estimada em 8,1 milhões de veículos.
O grupo inclui automóveis de passeio, motocicletas, utilitários e veículos pesados. Entre eles estão modelos antigos e também importados que não utilizam tecnologia flex.
Por que o governo quer aumentar o etanol na gasolina?
A proposta em análise prevê elevar o percentual de etanol anidro misturado à gasolina dos atuais 30% para 32%.
O tema ganhou força diante das tensões no Oriente Médio, que pressionam o mercado global do petróleo e elevam preocupações sobre abastecimento e preços.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento da mistura teria potencial para reduzir em cerca de 500 milhões de litros mensais a necessidade de importação de gasolina.
O governo também argumenta que a medida ajudaria o Brasil a alcançar maior autossuficiência energética e reduzir emissões de carbono.
Impacto ambiental da mistura
O etanol é considerado um combustível renovável e menos poluente do que derivados fósseis tradicionais. A ampliação da mistura reduz a emissão de gases ligados ao efeito estufa.
Por que motoristas estão preocupados?
Entidades do setor automotivo alertam que parte da frota brasileira não foi projetada para trabalhar com teores maiores de etanol.
Associações como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pedem mais testes antes da adoção definitiva da nova mistura.
O temor envolve principalmente:
- Falhas na partida a frio
- Aumento do consumo de combustível
- Perda de potência
- Desgaste acelerado de peças
- Oxidação de componentes
Quais veículos podem sofrer mais?
Os impactos tendem a ser maiores em veículos movidos exclusivamente a gasolina e que não possuem sistemas modernos de adaptação eletrônica.
Carros antigos
Modelos mais antigos podem apresentar dificuldade na partida, funcionamento irregular e trepidação até que a injeção eletrônica reconheça a nova mistura.
Importados não flex
O Rio Grande do Sul possui um mercado aquecido de veículos importados movidos apenas a gasolina.
Muitos desses modelos foram desenvolvidos para combustíveis com menor teor de etanol, o que pode gerar incompatibilidades mecânicas ao longo do tempo.
Motocicletas
Motocicletas abastecidas exclusivamente com gasolina também podem sentir os efeitos de forma mais intensa.
Por serem mais leves e terem respostas mecânicas mais sensíveis, falhas, engasgos e perda de desempenho costumam ser percebidos com maior facilidade.
Veículos flex sofrem menos?
Nos veículos flex, o impacto mecânico tende a ser menor.
Isso ocorre porque esses modelos possuem sistemas de injeção eletrônica capazes de identificar a proporção de etanol e gasolina no tanque.
Na prática, especialistas afirmam que o principal efeito percebido nesses casos costuma ser apenas o aumento do consumo.
Consumo pode subir?
Sim. Na prática, isso significa que veículos não adaptados podem precisar de mais combustível para gerar a mesma performance.
Como reduzir problemas mecânicos
Especialistas e entidades do setor recomendam alguns cuidados preventivos para minimizar os efeitos da mistura mais alta de etanol.
- Utilizar gasolina de melhor qualidade
- Realizar manutenção preventiva regularmente
- Trocar o filtro de combustível dentro do prazo
- Evitar deixar o carro parado por longos períodos
- Fazer revisões no sistema de injeção
Evolução da frota no RS
Apesar do número ainda elevado, a participação dos veículos exclusivamente a gasolina vem diminuindo lentamente no Estado.
Em abril de 2016, esse grupo representava 54,11% da frota gaúcha. Hoje, o percentual caiu para cerca de 42%.
Em resumo
P: O aumento do etanol na gasolina já está valendo?
R: Não. A proposta ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
P: Quais carros podem sofrer mais com a mudança?
R: Principalmente veículos antigos e importados movidos apenas a gasolina.
P: Veículos flex terão problemas?
R: Em geral, não. Os sistemas eletrônicos conseguem adaptar o funcionamento à mistura maior de etanol.



















