Reserva do Albardão provoca reação política no Rio Grande do Sul

Alceu Moreira decidiu reagir rapidamente ao decreto que criou a reserva ambiental do Albardão, no extremo sul do Rio Grande do Sul. O deputado protocolou um projeto para sustar a…
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Foto: Pablo Blech/Nema/Divulgação

Alceu Moreira decidiu reagir rapidamente ao decreto que criou a reserva ambiental do Albardão, no extremo sul do Rio Grande do Sul. O deputado protocolou um projeto para sustar a medida e abriu uma disputa que envolve pesca, energia e preservação ambiental.

O movimento ocorre após a publicação do Decreto nº 12.868/2026, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A norma institui uma reserva nacional que ultrapassa 1 milhão de hectares no litoral entre Santa Vitória do Palmar, Rio Grande e Chuí.

Em nossas apurações com lideranças da região, o sentimento predominante foi de surpresa. Prefeitos, pescadores e produtores afirmam que não houve discussão aprofundada sobre os impactos econômicos locais.

Por que o decreto do Albardão virou crise política no Sul do RS?

O deputado apresentou o PDL 106/2026, que pede a suspensão imediata do decreto presidencial.

Na prática, o instrumento permite ao Congresso anular decisões do Executivo consideradas abusivas ou sem consulta adequada às regiões afetadas.

Segundo Moreira, a criação da reserva ignora atividades tradicionais da região.

“Ninguém é contra preservar o ecossistema. O problema é um canetaço feito em Brasília sem considerar quem vive aqui”, afirmou.

O que muda com a criação da reserva do Albardão?

A nova área de proteção ambiental pode afetar diretamente setores estratégicos do extremo sul gaúcho.

  • Pesca artesanal – principal fonte de renda de comunidades costeiras
  • Pesca industrial – operação de embarcações que utilizam o litoral como base
  • Energia eólica offshore – projetos estudados para o litoral sul
  • Turismo off-road – atividade tradicional nas dunas da região
  • Produtores rurais – propriedades inseridas dentro da área delimitada

Prefeitos da região afirmam que a falta de um plano de manejo claro aumenta a insegurança.

Prefeito aponta “cheque em branco” na gestão da reserva

O prefeito de Santa Vitória do Palmar, André Selarayan, foi direto ao comentar a situação.

Segundo ele, o processo não apresenta regras detalhadas sobre o funcionamento da unidade de conservação.

“Nem um esboço de plano de manejo existe no processo. Isso cria um cheque em branco para definir o que será permitido depois”, afirmou.

Pesca x energia: a disputa econômica do Albardão

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Nos bastidores políticos, a tensão não gira apenas em torno da preservação ambiental.

O que vimos nas conversas com lideranças locais foi um conflito entre dois modelos de desenvolvimento para a região.

Atividade Impacto Econômico Risco com a Reserva
Pesca artesanal Emprega centenas de famílias Restrição de áreas de captura
Pesca industrial Geração de renda portuária Limitação operacional
Energia eólica offshore Bilhões em investimento potencial Possível inviabilização de projetos

O litoral do Albardão é considerado um dos corredores de vento mais promissores do Brasil para projetos de geração de energia eólica no mar.

O que acontece agora em Brasília?

Com o protocolo confirmado, o projeto começa a tramitar na Câmara dos Deputados.

Alceu Moreira tenta aprovar um regime de urgência, o que permitiria votação direta no plenário.

Se o PDL for aprovado, o decreto presidencial perde validade.

Caso contrário, a reserva ambiental segue adiante e caberá ao governo definir regras de funcionamento e atividades permitidas.

Resumo Rápido

P: O que é a reserva do Albardão?
R: Uma unidade de conservação criada por decreto federal com mais de 1 milhão de hectares no litoral sul do RS.

P: Por que há reação política?
R: Lideranças locais afirmam que a decisão pode prejudicar pesca, turismo e projetos de energia eólica.

P: O decreto pode ser cancelado?
R: Sim. Um projeto na Câmara dos Deputados tenta sustar os efeitos da medida.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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