A morte pialando a vida – Erner Machado

O titulo do meu texto, de hoje, é um verso que está contido em uma das obras primas do nosso Eterno “Payador”  Jaime Caetano Braum.        Tomei a liberdade de…
Erner Machado

O titulo do meu texto, de hoje, é um verso que está contido em uma das obras primas do nosso Eterno “Payador”  Jaime Caetano Braum.

       Tomei a liberdade de “roubar” esta frase do Gênio gaúcho que nos encantou com sua arte porque acho que ela exprime  a realidade em que estamos vivendo no Rio Grande do sul e no Brasil.

       Para explicar o que disse foi necessário valer-me de estatística e ela  diz que:

       Em 2025 houve uma redução a nível nacional de 11% em comparação com 2024. Em 2025 o país registrou 34.086 vítimas de homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte.

        Em 2024, tinham sido registrados 38.374 casos.

       E as perspectivas para o futuro apontam para um aumento destes crimes, tendo em vista que, no Rio Grande do Sul, neste primeiro mês do ano- segundo noticias da imprensa- já houve dez feminicídios

       Fiz esta introdução para comentar que na Praia Brava, um dos lugares mais famosos de Santa Catarina um grupo de jovens adolescentes matou  a pauladas o cachorro conhecido por Orelha que era querido de toda a comunidade onde tinha chegado e se acostumado a ficar.

       Embora eu não tenha conhecido o Orelha tenho certeza que ele era igual aos cuscos de minha infância…

       Eles chegavam nos galpões da estância- não se sabia vindos de onde- e se aconchegavam na beira do fogo de chão, orelhando algum pedaço de osso  de costela que algum peão lhe atirasse.

       E ficavam um dia, uma semana um mês e chegavam os anos e eles se tornavam da casa.

       E nos dias  em que se juntava o gado para dar sal, no rodeio ou trazê-los para os bretes de banho, os cuscos  eram importantes auxiliares “reculutando” algum boi ou terneiro que se recusasse a seguir a manada.

       Eram companheiros inseparáveis dos peões e dos patrões e, nos dias de caçada, se embrenhavam nas matas e nos campos a procura de algum tatu que, mesmo se entocando, acabava sempre, sob as patas e na boca destes cuscos.

       Eram protetores da casa, do galpão, dos peões e da família do patrão  e, por isso,  eram muito queridos por todos  e quando morriam havia grande tristeza e seus corpos, para evitar que fossem atacados pelos corvos, eram enterrados na ponta do rodeio na crença de que, mesmos mortos, estariam cuidado do gado.

       Então eu acho que o Orelha era um cusco assim!        Chegou, se estabeleceu no lugar, foi gentil com todos e virou da casa ou, melhor, das casas que o acolheram e lhe retribuíram o carinho e dedicação.

       E agora se sabe que foi morto a pauladas e depois de morto foi empalado, por um grupo de jovens -oriundos de famílias de referências na praia- e que encontram-se – agora- em viagem de férias usufruindo as belezas e as alegrias que Disney oferece.

       Sabe-se, também, que algumas pessoas- possivelmente familiares destes jovens-, tentaram silenciar testemunhas oculares dos fatos.

       As autoridades, segundo a imprensa já identificaram os jovens assassinos  e as pessoas que tentaram  desconfigurar    o banditismo que fizeram.

       Informaram, também,  as autoridades, que já, estão tomando providencias para indiciá-los e processá-los.

       Em finalizando, volto aos dados estatísticos sobre os homicídios no país e concluo que o brasileiro está tomado por um processo social de violência que mata, a sangue frio, crianças, mulheres, homens e animais…

       É tarefa, urgente, que nós como sociedade, busquemos caminhos que, no futuro, nos levem a valorizar a vida como o bem maior que temos, seja ela uma vida de seres humanos ou de algum cachorro, sem dono, que chegou , não se sabe de onde, em uma comunidade e cativou a todos pela sua capacidade de amar e reconhecer que é amado…

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