Se você está pensando em cursar o ensino superior, provavelmente já percebeu que o vestibular é a principal porta de entrada em universidades públicas e privadas no Brasil. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo, permite acesso a programas como Sistema de Seleção Unificada (Sisu), Programa Universidade para Todos (Prouni) e Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além dele, muitas instituições também realizam vestibulares próprios, como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp).
Mas o ponto é que, independentemente do processo seletivo escolhido, a concorrência costuma ser alta e exige preparo, disciplina e dedicação. Nesse cenário, especialistas destacam a importância de manter uma rotina equilibrada de estudos, organização e cuidados com a saúde mental. Confira!
1. Crie um planejamento de estudos
Para o professor orientador do Anglo Alante São José dos Campos, Clayton Santos, montar um cronograma eficiente exige considerar todos os compromissos da rotina do estudante. “Horário de dormir, horário de aula, seja escolar ou de cursinho, atividades pessoais que são importantes para o estudante, como hobbies. Assim que tudo isso estiver separado, serão perceptíveis várias lacunas. Nessas lacunas, o estudante começa a distribuir suas metas”, explica.
O coordenador de curso pré-vestibular do Fibonacci Sistema de Ensino, Rinaldo Quaresma, destaca que práticas simples, quando aplicadas de forma consistente, fazem diferença significativa no desempenho. “Uma das estratégias mais eficazes para a fixação é a repetição, ou seja, revisar o conteúdo com atenção para o volume e intensidade”, afirma.
2. Utilize a tecnologia como aliada nos estudos
Segundo o gestor de negócios educacionais da CASIO Educação, Jalman Lima, a tecnologia educacional pode ser uma aliada importante no processo de estudo e aprendizado, sobretudo nas disciplinas de exatas. “Ferramentas como calculadoras científicas e recursos digitais ajudam o estudante a explorar estratégias, visualizar padrões e direcionar mais atenção para a análise e interpretação dos problemas, em vez de apenas repetir cálculos mecânicos”, destaca.
Além disso, plataformas digitais e ferramentas de Inteligência Artificial (IA) já auxiliam estudantes na organização de planos de estudo e na adaptação de conteúdos conforme diferentes ritmos de aprendizagem. No entanto, a gerente pedagógica da plataforma par, Talita Fagundes, afirma que o uso da tecnologia exige equilíbrio, criticidade e orientação adequada para que a ferramenta amplifique e não substitua o raciocínio.
3. Prepare-se adequadamente para a redação
A prova de redação do Enem é o exercício mais complexo do exame, exigindo leitura de vários textos, articulação dos sentidos, tomada de posição, argumentação, estrutura dissertativa, repertório, proposta de intervenção, norma culta, coesão e coerência em tempo de produção reduzido. Por isso, para se preparar, Sérgio Paganim, professor e coordenador de Redação do Curso Anglo, indica que a primeira questão importante é definir uma estratégia de tempo, delimitando quando a redação vai ser feita e quanto tempo será gasto em cada etapa de sua produção (leitura dos textos de apoio, projeto de texto, escrita de rascunho e versão final).
Outra orientação relevante é o treino da leitura da coletânea, com tempo controlado, para ganhar agilidade e eficiência. O terceiro aspecto, segundo ele, é conhecer as competências que o Enem utiliza para avaliação, compreendendo o que se espera em cada uma das cinco. “A quarta questão é estudar redações nota mil, analisando, sobretudo, introdução, parágrafos de desenvolvimento, proposta de intervenção, repertórios e conectores. A quinta recomendação é escrever semanalmente, revisar o texto, buscar avaliação com um leitor experiente e desenvolver a escrita com a prática”, complementa.
Um texto coerente e bem articulado exige mais do que domínio da norma culta: demanda raciocínio crítico, aprofundamento conceitual e a capacidade de se expressar em diferentes contextos. Por isso, é fundamental que o estudante amplie continuamente seu repertório, reunindo referências e conhecimentos.
“Construir um repertório de qualidade é imprescindível para escrever uma redação competitiva, capaz de mobilizar conhecimentos diversos e sustentar a argumentação apresentada”, comenta Laura Vecchioli do Prado, coordenadora de Literatura e Informativos do Editorial de Educação Básica da SOMOS Educação. Nesse processo, a leitura destaca-se como uma aliada essencial para atender às exigências dos vestibulares e fortalecer a escrita.
4. Aprenda a lidar com a pressão psicológica
A preparação para o vestibular também exige atenção à saúde emocional dos estudantes. De acordo com o professor de História e líder pedagógico da Plataforma Amplia, Francisco Moreira Júnior, a ansiedade nesse período muitas vezes nasce da incerteza. “Quanto mais o aluno domina o ato de estudar e enxerga sua evolução por meio de dados e métricas, mais seguro ele se sente. É essencial encarar o vestibular como um desafio técnico, e não como uma medida do valor pessoal”, reforça.
Para Arthur Bertagia de Souza, coordenador pedagógico do Ensino Médio bilíngue na FourC Bilingual Academy, cuidar do corpo é essencial para afastar o estresse. Para ele, atividades físicas, uma boa alimentação, hidratação e sono de qualidade são pontos essenciais para o controle do nervosismo e capacidade de concentração, bem como práticas de meditação e exercícios de respiração para controle de ansiedade.
“Isso ajuda a reduzir o nervosismo e trazer a atenção de volta para o momento presente, diminuindo o excesso de pensamentos e a sensação de ansiedade. Quando o corpo está mais equilibrado, o candidato consegue lidar melhor com a pressão e o desgaste emocional de provas mais longas”, explica.
De acordo com Carolina Sperandio, diretora da Unidade Granja Vianna do Colégio Rio Branco, o papel da família é considerado um dos principais fatores de apoio emocional para os estudantes que enfrentam a maratona dos vestibulares. A presença de pais e responsáveis, quando equilibrada, pode ser decisiva para dar segurança e motivação, mas sem aumentar a pressão sobre os jovens.
5. Saiba como aplicar para vestibulares no exterior
O interesse de estudantes brasileiros por universidades internacionais também cresce nos últimos anos, ampliando a demanda por orientação especializada nas escolas. Segundo Aline Chmatalik, coordenadora do Departamento de Estudos Internacionais da Escola Móbile, o acompanhamento individualizado faz diferença em todas as etapas do processo.
“Começamos entendendo o perfil e os objetivos de cada estudante. A partir disso, é possível apoiar na escolha de universidades, entrevistas, redações, bolsas, portfólios e na organização de toda a documentação, transformando uma aspiração em um caminho concreto e bem planejado”.
Entre as frentes consideradas essenciais nesse processo, estão o acesso a currículos reconhecidos internacionalmente, preparação para exames como o SAT, orientação com profissionais especializados, contato direto com universidades, participação em feiras e incentivo a experiências acadêmicas no exterior, como programas de verão. “Quando há uma orientação próxima e personalizada, os alunos não apenas se preparam melhor para os processos de admissão, mas também amadurecem em suas escolhas acadêmicas e pessoais”, conclui.
Por Laura Ragazzi




















