Dia do gari – Erner Machado

Ontem, 16 de maio, as ruas amanheceram como em qualquer outro dia: prontas para serem pisadas, rodadas e vividas.        Mas antes que o primeiro passo da rotina urbana fosse…
Erner Machado

Ontem, 16 de maio, as ruas amanheceram como em qualquer outro dia: prontas para serem pisadas, rodadas e vividas.

       Mas antes que o primeiro passo da rotina urbana fosse dado, alguém já tinha passado por ali.

       Alguém já tinha devolvido à cidade a dignidade que o caos do dia anterior havia tirado.

       Ontem foi o Dia do Gari-  que nós, popularmente, chamamos de Lixeiro- e mais do que uma data no calendário, este é um  para rasgar o véu da invisibilidade na qual estes trabalhados estão confinados.

       É profundamente comovente pensar no silêncio do trabalho dessas mulheres e desses homens.

       Enquanto a maioria de nós ainda ensaia o acordar, o gari já está no asfalto, enfrentando o frio da madrugada, o calor que racha o chão ou a chuva que castiga o corpo.

       Sob o uniforme brilhante — ironicamente desenhado para ser visto, mas tantas vezes ignorado pelos olhos da pressa —, pulsa um coração cheio de histórias, de lutas e de uma resiliência que poucos de nós conseguiriam sustentar.

       Trabalhar na limpeza urbana é um ato de entrega diária. É recolher o que o mundo rejeita.

        É lidar com o descuido alheio, com o perigo do vidro quebrado escondido no saco de lixo, com o desrespeito de quem fecha o vidro do carro ou desvia o olhar.

       O gari limpa a nossa sujeira física, mas também nos dá, silenciosamente, uma lição de moral e de cidadania a cada esquina.

       Sem eles, as cidades colapsam. Sem eles, a saúde pública desmorona.

       A verdade escancarada é que a engrenagem do mundo só gira porque o suor dessas mãos garante que o caminho esteja limpo.

       Por isso, o meu modesto texto não pode ser apenas uma homenagem protocolar.

       Precisa ser um manifesto de gratidão e de reconhecimento contundente. É preciso olhar nos olhos. É preciso dizer “bom dia”, “obrigado”, “bom trabalho”.

       É preciso entender que a vassoura nas mãos de um gari e o saco de lixo que ele carrega nas costas são ferramentas de ordem, de saúde e de respeito coletivo.

       Aos garis, o nosso mais profundo e emocionado agradecimento. Vocês são os guardiões da nossa casa comum.

       Que no dia de ontem, e em todos os outros trezentos e sessenta e quatro dias do ano, o seu trabalho seja honrado, a sua voz seja ouvida e a sua presença seja, finalmente, enxergada com o respeito e a admiração que vocês tanto merecem.

Parabéns pelo seu dia!

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