Para minha felicidade o meu neto mais novo o Davi, resolveu ser pescador.
Convidou o avô materno- o Seu Paulo Carello- e foi em uma casa de Pesca de Capão da Canoa e comprou caniço, anzol, linhas e iscas e a coisa de dois meses todos os fins de semana vai ao mar em busca de algum peixe para satisfazer sua atividade.
Não pesca muito, mas quando pega um Cara, mesmo que pequeno, é tomado de uma euforia sem limites.
Para aumentar a minha satisfação ele contagiou o seu irmão mais velho – o Arthur – e hoje estão pescando junto com seu pai- o meu filho Paulo- em riozinho que existe antes de Terra de Areia.
Foram bem cedo levaram lanches e, certamente, irão passar o dia nesta atividade que, no meu tempo de jovem me ajudou a prover parte do alimento de meus irmãos mais moços, de minha mãe, de meu pai e de meu avô e de minha madrinha que moravam conosco.
No turno contrario as minhas aulas no Plácido de Castro- em Rosário do Sul- eu pegava a minhas linhas e as minhocas necessárias para iscas e me dirigia ao meu rio Santa Maria e lá fica o tempo necessário para pescar traíras, grumatãs, sovelas e, com muito sorte algum dourado pequeno, mas sempre desejado por qualquer pescador.
No dia 15 de outubro de 1964, já aos 17 anos tive a felicidade de sair da lenharia do seu Ataídes Aquino e pela mão do meu eterno amigo Ari Josende, ser admitido como continuo interno contratado do Banco da Província do Rio Grande do Sul e ai o sustento da minha família estava garantido pelo meu salário e eu não precisa mais pescar para ter a carne na mesa.
Para minha surpresa lá existia um grupo de colegas escriturários como o Jari Acosta, o Auberi Souto, o Soter Arigony, o Nico Retamal, o Nelson Conde Severo, que junto com o José Antonio Trindade , o Roberto Fonseca, o João Barbeiro, o Noé Garrão, entre outros, frequentadores do Bar do Osvaldo, iam toda a semana pescar nas barragens da Taipa, nos açudes de Coudelaria do Saicã ou na Estância da Fortaleza.
Saiam na sexta no final do expediente do Banco e só voltavam no domingo, de manhã.
Como eu era muito novo na turma, não tive coragem de pedir para acompanhá-los mas disse para alguns dos colegas que gostava de pescar.
Quando voltavam ao expediente, na segunda feira, contavam tudo o que tinha acontecido e eu ficava maravilhado ao ouvir que pescaram de rede, três ou quatro sacos de peixes, entre jundiás, cascudos, traíras e até dourados, dos grandes…
Numa Sexta feira, do mês de janeiro de 1965, o Auberi me disse: Guri depois do expediente tu vai para casa, pega um pelego dos que o teu pai tem, para fazer de colchão e um cobertor para te tapares pois tipo seis e meia da tarde nós passamos lá para te pegar. Tu vais pescar conosco.
A minha alegria não pode ser definida por adjetivos e ao pegar carona com o colega Rui Berriel que era meu vizinho tomei a liberdade de pedir para ele ir o mais rápido possível.
Cheguei em casa contei para o meu pai e minha mãe que eu ia pescar com os colegas do Província e eles ficaram muito felizes de eu poder fazer parte daquele grupo especial de cidadãos rosarienses.
Para não ficar muito longo o meu texto não vou contar o que aconteceu na noite de sexta, no dia e na noite de sábado.
Só vou dizer que cheguei em casa, no domingo, com um saco de estopa cheio de peixes ,não como os peixinhos que eu pescava no meu rio Santa Maria, mas enorme traíras, bagres, jundias e dourados.
Foi uma festa na minha casa e toda a família se dedicou a limpar, a salgar e a colocar nos varais para que os peixes secassem sob o sol do verão e pudessem ser aproveitados durante a semana que chegaria com a segunda feira.
Esta rotina de pescar todo o fim de semana durou até novembro de 1970, quando me despedi do Banco da Província e de meus companheiros e vim trabalhar no Banco da Amazônia em Porto Alegre.
A emoção não me permite escrever mais concede-me, no entanto, o tempo necessário para dizer do entusiasmo da alegria e da felicidade que sou tomado, por meus dois netos serem pescadores e estarem hoje, com seu pai, tentando pescar alguma coisa num pequeno rio…
Para finalizar peço a Deus que eles tenham sorte, pescando algum peixe de bom tamanho e possam sentir a sublime satisfação e a alegria que me acompanharam por tantos anos…





















