Influenciador é autuado após exibir pesca ilegal de miragaias e vender curso; multa chega a R$ 60 mil e expõe uso comercial da infração.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou em R$ 60 mil um influenciador digital de Santa Catarina após ele divulgar a pesca ilegal de uma espécie ameaçada de extinção.
O caso ganhou repercussão após vídeos publicados nas redes sociais mostrarem seis miragaias (Pogonias courbina), também conhecidas como burriquetes, sendo exibidas enquanto ainda agonizavam.
Por que o influenciador foi multado pelo Ibama?
A autuação teve como base o Artigo 24 do Decreto nº 6.514/2008, que prevê penalidades para quem captura espécies da fauna silvestre ameaçadas sem autorização.
Segundo o Ibama, a miragaia está listada como espécie em perigo de extinção na Portaria MMA nº 148/2022, o que torna sua captura proibida em todo o território nacional.
Em nossas apurações, o que mais chamou atenção foi a estratégia adotada pelo influenciador: além de exibir os peixes, ele anunciava a venda de um curso ensinando “técnicas e macetes” para capturar a espécie.
Como a multa chegou a R$ 60 mil?
O cálculo da penalidade seguiu dois critérios principais:
- R$ 5 mil por peixe capturado
- Multa dobrada por intenção de lucro
Como foram seis exemplares pescados, o valor base chegou a R$ 30 mil. A quantia foi duplicada porque houve tentativa de ganho financeiro, tanto com a venda do curso quanto com a monetização do conteúdo.
O que diz o Ibama sobre o caso?
De acordo com o superintendente do órgão em Santa Catarina, Paulo Maués, a regulamentação da pesca de espécies ameaçadas é de competência federal.
Quem acompanha o setor ambiental sabe que casos como esse têm sido monitorados com mais rigor, principalmente quando envolvem redes sociais e influência digital.
Denúncias podem ser feitas pela população
O Ibama reforça que qualquer cidadão pode denunciar crimes ambientais por meio:
- Plataforma Fala.Br
- Telefone 0800 061 8080
Análise do Editor
O caso expõe um novo vetor de risco ambiental: a monetização da ilegalidade nas redes sociais. Não se trata apenas de pesca irregular, mas de um modelo de negócio baseado em infração.
O que vimos na prática foi um comportamento que mistura entretenimento, ensino e crime ambiental — uma combinação difícil de fiscalizar, mas altamente escalável.
A tendência é de endurecimento das punições, especialmente quando há prova de lucro. Para os próximos meses, o cenário aponta para:
- Mais operações focadas em influenciadores
- Monitoramento automatizado de redes sociais
- Multas mais altas em casos com monetização
O impacto vai além da punição individual: cria um precedente importante para responsabilização digital em crimes ambientais.
Resumo Rápido
P: Por que o influenciador foi multado?
R: Por pescar e divulgar espécie ameaçada sem autorização.
P: Qual foi o valor da multa?
R: R$ 60 mil, com valor dobrado por tentativa de lucro.
P: A pesca dessa espécie é permitida?
R: Não. A miragaia está na lista oficial de espécies em extinção.




















