Pesquisadores da Furg identificaram um cenário crítico na pesca do camarão-rosa na Lagoa dos Patos: o método de arrasto está gerando alto desperdício e impacto direto no ecossistema.
Ao longo de quatro safras, o estudo analisou a atividade pesqueira e revelou um dado que chama atenção: 86% de tudo que é capturado acaba descartado, em sua maioria já morto.
Quanto está sendo desperdiçado na pesca?
Em nossas apurações, os números mostram a dimensão do problema:
- 896,15 kg de captura total
- 768,22 kg descartados
- Apenas 127,93 kg de camarão aproveitados
Na prática, isso significa uma proporção média de 6 quilos descartados para cada 1 quilo de camarão.
Ao todo, 61 espécies foram afetadas — incluindo peixes, crustáceos e moluscos — atingindo cerca de um terço da biodiversidade estuarina.
Por que o arrasto preocupa tanto?
O método de arrasto não impacta apenas as espécies capturadas. Ele interfere diretamente no ambiente onde o camarão se desenvolve.
O que vimos na prática foi um efeito em cadeia:
- Destruição de organismos do fundo do estuário
- Redução de alimento nutritivo para o camarão
- Alteração no crescimento e tamanho da espécie
Segundo pesquisadores, o camarão passa a consumir mais matéria vegetal, menos energética, o que pode comprometer sua qualidade e valor comercial.
Qual o impacto para os pescadores?
Quem acompanha esse setor sabe que o problema não é apenas ambiental — é também econômico.
A redução dos estoques e o desperdício afetam diretamente cerca de mil famílias que dependem da pesca na região.
Espécies como siri e bagre, capturadas em excesso, acabam dificultando ainda mais a atividade e reduzindo a eficiência das redes.
Existe alternativa mais sustentável?
Sim — e ela já está sendo testada.
O método conhecido como “aviãozinho” surge como alternativa ao arrasto. Diferente da técnica tradicional, ele:
- Não revolver o fundo do estuário
- Utiliza luz para atrair o camarão
- Permite maior seletividade da captura
Os resultados são significativos:
- Taxa de descarte entre 35% e 45%
- Possibilidade de redução para até 1,5 kg descartado por 1 kg capturado
Mesmo assim, os pesquisadores avaliam que ainda há margem para melhorias.
Nova tecnologia pode mudar a pesca?
A pesquisa já avançou para o desenvolvimento de dispositivos adaptados às redes, com potencial de reduzir ainda mais a captura incidental.
Os protótipos apresentaram resultados promissores em ambiente científico e devem ser testados por pescadores nos próximos ciclos.
Em nossas apurações, um dos pontos mais estratégicos é a possibilidade de criação de um selo verde, agregando valor ao produto e abrindo novos mercados.
Resumo Rápido do estudo
P: Qual o principal problema identificado?
R: Alto descarte na pesca por arrasto, chegando a 86%.
P: Existe alternativa?
R: Sim, o método “aviãozinho”, mais seletivo e menos impactante.
P: Quem é impactado?
R: O meio ambiente e cerca de mil famílias de pescadores.





















