É de uma tristeza profunda testemunhar o declínio de uma instituição que não é apenas uma empresa, mas uma das próprias veias por onde corre o sangue deste país. Falar dos Correios é falar de uma história que começou em 1663, ainda no Brasil Colônia, atravessou o Império, viu o nascimento da República e sobreviveu a inúmeras crises — até esbarrar na melancólica realidade da insolvência atual.
É difícil processar que o mesmo braço do Estado que chegava aos rincões onde ninguém mais queria ir, hoje se veja forçado a:
Vender patrimônio histórico: Prédios que são marcos arquitetônicos e símbolos de presença estatal sendo liquidados para tapar buracos financeiros.
Demitir funcionários: O capital humano, composto por carteiros que conheciam cada nome e cada rosto das cidades brasileiras, sendo dispensado em meio à incerteza.
Encarar a ameaça de extinção: A possibilidade real de encerrar atividades que, por séculos, garantiram a integração nacional.
A insolvência não é apenas um fracasso contábil; é um fracasso simbólico.
Em uma era de e-commerce pujante, onde a logística deveria ser a rainha do mercado, ver a nossa maior operadora logística definhar é um contrassenso doloroso.
O que era para ser o auge da utilidade dos Correios tornou-se o cenário de sua agonia, sufocado por gestões ineficientes, falta de investimento tecnológico e o avanço voraz de concorrentes que não herdaram o “fardo” da universalidade — o dever de entregar em todo lugar, custe o que custar.
“Uma nação que não consegue sustentar os pilares de sua comunicação e integração está, de certa forma, perdendo um pouco da sua própria soberania.”
Ver os Correios à beira do colapso é assistir ao desmonte de um serviço que já foi motivo de orgulho e que carrega o selo de mais de 360 anos de história.
O fim dessa jornada, se concretizado, deixará um vácuo que dificilmente será preenchido com o mesmo compromisso social que norteou a instituição desde o século XVII.





















