Arroio do Sal derruba regra dos 60 metros e libera 1,5 mil lotes para construção

Após anos de impasse judicial, município regulariza faixa dos 60 metros e destrava alvarás. Setor imobiliário projeta aquecimento imediato e novos empreendimentos. A regra dos 60 metros, que travava construções…
Arroio do Sal

Após anos de impasse judicial, município regulariza faixa dos 60 metros e destrava alvarás. Setor imobiliário projeta aquecimento imediato e novos empreendimentos.

A regra dos 60 metros, que travava construções perto da orla de Arroio do Sal, virou passado. A prefeitura confirmou a regularização do processo com base nas diretrizes atuais da Fepam e recolocou cerca de 1,5 mil lotes no radar do mercado.

Na prática, o que era papel parado em gaveta volta a virar concreto, tijolo e emprego. Depois de anos sem poder liberar alvarás em áreas já urbanizadas, a cidade abre as portas para novos projetos residenciais e comerciais.

O que muda agora para quem quer construir?

O município deixa de aplicar uma restrição genérica criada a partir de um estudo técnico antigo — que nunca virou lei. A Justiça considerou improcedente a tentativa de manter o bloqueio.

  • Alvarás voltam a ser analisados normalmente na faixa antes travada;
  • Cerca de 1,5 mil lotes ganham viabilidade jurídica;
  • Licenciamento ambiental segue obrigatório;
  • Áreas como dunas, banhados e APPs continuam protegidas.

Ou seja: não é “liberou geral”. Mas o que já era área urbana consolidada deixa de ficar congelado por uma regra sem força de lei.

De onde surgiu a regra dos 60 metros?

A limitação nasceu em 2000, em um documento orientativo da Fepam chamado “Diretrizes Ambientais para o Desenvolvimento do Litoral”. O texto sugeria evitar edificações a 60 metros da base da duna frontal.

Com o tempo, a recomendação passou a ser aplicada como se fosse lei, inclusive em bairros já consolidados, com ruas, casas e infraestrutura pronta.

O problema jurídico: orientação técnica não cria obrigação legal. Sem legislação específica, não se pode retirar o direito de construir.

Por que a Justiça liberou agora?

Dois fatores pesaram:

  • A diretriz nunca foi transformada em lei;
  • A própria Fepam revisou o documento em 2024 e retirou a restrição dos 60 metros.

Com isso, a ação civil pública perdeu o objeto e o município voltou a ter autonomia para decidir com base no Plano Diretor e nas regras ambientais vigentes.

Impacto direto: o que isso significa para a economia local?

Quem vive o mercado imobiliário do litoral sabe: obra parada é dinheiro evaporando. Construtoras seguraram projetos, terrenos ficaram encalhados e a arrecadação municipal esfriou.

Agora o cenário vira.

A construção civil deve ser o primeiro motor de retomada, puxando empregos, serviços, comércio de materiais e novos moradores fixos — não só veranistas.

Mas dá para construir em qualquer ponto desses 60 metros?

Não. Cada projeto passa por análise técnica.

Se houver duna, banhado, sambaqui ou área de preservação permanente, a obra continua proibida. A liberação vale para trechos urbanos consolidados, não para áreas sensíveis.

Como tirar dúvidas ou solicitar alvará?

Resumo Rápido

P: A regra dos 60 metros acabou?
R: A restrição genérica caiu. Agora vale análise caso a caso com base na lei.

P: Quantos terrenos foram liberados?
R: Cerca de 1,5 mil lotes voltam a poder solicitar alvará.

P: Pode construir em duna ou área protegida?
R: Não. APPs e áreas ambientais seguem proibidas.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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