Demissões em CFCs no RS disparam após nova CNH
Demissões em CFCs no RS já atingem cerca de 2 mil trabalhadores desde dezembro, após a entrada em vigor da nova regulamentação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), e o número pode chegar a 2,5 mil desligamentos ainda em janeiro.
O impacto atinge diretamente instrutores teóricos, diretores de ensino e outros profissionais que tiveram suas funções extintas com a mudança nas regras.
Os dados são do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Sul (SindiCFC-RS), que aponta uma redução de aproximadamente 20% no quadro total de funcionários do setor em todo o Estado.
Nova CNH provoca enxugamento histórico nos Centros de Formação de Condutores
As demissões em CFCs no RS começaram logo após a publicação da Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que alterou profundamente o modelo de formação de novos motoristas no Brasil. No Rio Grande do Sul, as novas regras passaram a valer oficialmente no dia 5 de janeiro.
Segundo o presidente do SindiCFC-RS, Vilnei Sessim, a mudança provocou uma precarização do processo de formação, tornando inviável a manutenção de profissionais especializados.
“Não há como manter mão de obra qualificada se não existe mais a exigência de aulas. A redução de custos veio acompanhada de uma perda significativa na qualidade da formação”, afirma.
Funções extintas e profissionais fora do mercado
Entre os cargos mais afetados estão os instrutores teóricos e os diretores de ensino, funções que deixaram de existir com o novo modelo.
O diretor de ensino era responsável por planejar, acompanhar e garantir a qualidade das aulas práticas e teóricas, função considerada essencial para a formação segura dos condutores.
“É uma perda enorme para a educação no trânsito. Essa figura fazia toda a diferença na preparação do futuro motorista”, destaca Sessim.
Redução drástica de aulas muda completamente a formação de motoristas
Uma das mudanças mais criticadas diz respeito à carga horária obrigatória, que foi drasticamente reduzida:
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Antes:
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45 horas de aulas teóricas
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20 horas de aulas práticas
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Agora:
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Apenas duas horas práticas
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Sem aulas teóricas obrigatórias, apenas uma prova de conhecimentos gerais
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Para o sindicato, essa alteração cria um cenário de risco.
“Pais ensinando filhos em carros comuns, sem pedal auxiliar e sem identificação, representa um risco imediato de acidentes e atropelamentos”, alerta o presidente do SindiCFC-RS.
Sindicato pressiona Brasília para rever pontos da nova CNH
Diante do cenário de demissões em CFCs no RS e do aumento do risco viário, o sindicato afirma que está atuando diretamente em Brasília, junto a uma comissão especial da Câmara dos Deputados, para tentar restabelecer critérios mínimos de segurança.
Entre as principais reivindicações estão:
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Obrigatoriedade de veículos de aprendizagem com duplo comando
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Identificação visual obrigatória nos carros usados para instrução
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Regras claras para atuação de instrutores autônomos
“Veículos de aprendizagem precisam ter, no mínimo, um pedal de freio auxiliar. Isso salva vidas”, reforça Sessim.
Uso de veículo próprio ainda não está liberado no RS
Embora a legislação federal permita que as aulas práticas sejam realizadas em veículos próprios, o DetranRS informou que essa modalidade ainda não está disponível no Estado.
O órgão afirma estar trabalhando para regulamentar o modelo até o início de março, com respaldo técnico e jurídico.
Outras mudanças impactam o sistema de habilitação
Além da Resolução 1.020 do Contran, outras normas alteram o cenário da CNH no Brasil:
Medida Provisória 1.327/2025
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Possibilita renovação automática da CNH para bons motoristas
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Define teto para o custo dos exames físico e mental
Lei 15.153/2025
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Retoma a obrigatoriedade do exame toxicológico
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Exigência vale para primeira habilitação de carros e motos
DetranRS diz priorizar segurança no trânsito
Em nota, o Departamento Estadual de Trânsito do Rio Grande do Sul afirmou que atua dentro das regras vigentes e que trabalha para implementar o novo modelo sem comprometer a segurança.
“O DetranRS prioriza a segurança no trânsito, evitando riscos aos cidadãos e aos profissionais envolvidos”, diz o comunicado.
Especialistas alertam para impacto a médio e longo prazo
Para representantes do setor, as demissões em CFCs no RS são apenas o primeiro reflexo de um problema maior: a possível queda na qualidade da formação de motoristas, com reflexos diretos nos índices de acidentes e infrações nos próximos anos.
O debate agora se concentra no equilíbrio entre acesso facilitado à CNH e segurança viária, um tema que promete seguir no centro das discussões no Congresso Nacional.





















