Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas atinge menor nível da série histórica

Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas despenca novamente e atinge a menor marca da série histórica A Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas voltou a cair em novembro e alcançou…
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Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas despenca novamente e atinge a menor marca da série histórica

A Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas voltou a cair em novembro e alcançou 47,9 pontos, consolidando o nono recuo mensal consecutivo e renovando a menor marca de toda a série histórica do indicador.

Os dados foram divulgados pela Fecomércio-RS, com base em pesquisa conduzida pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), realizada em Porto Alegre nos dez dias que antecederam o mês de referência.

O resultado mantém o índice muito abaixo da linha dos 100 pontos, patamar que separa a percepção otimista da pessimista.

Quanto mais distante desse nível, maior o grau de desconfiança das famílias em relação à economia, ao mercado de trabalho e às condições de consumo.

O que é o ICF-RS e como funciona o indicador

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é composto por sete componentes, que avaliam diferentes dimensões do comportamento do consumidor:

  • Mercado de trabalho (2 indicadores)

  • Consumo (3 indicadores)

  • Perspectivas futuras (2 indicadores)

A pontuação varia de 0 a 200 pontos. Leituras abaixo de 100 indicam percepção negativa, enquanto valores próximos de zero refletem pessimismo extremo, cenário atualmente observado no Rio Grande do Sul.

Queda mensal e tombo anual reforçam cenário preocupante

Em relação a outubro de 2025, o índice registrou queda de 1,0%.

Na comparação com novembro de 2024, a retração é ainda mais expressiva: -22,1%, evidenciando um processo prolongado de deterioração da confiança do consumidor gaúcho.

Dos sete componentes que formam o ICF, quatro apresentaram recuo na margem, justamente aqueles de maior peso na composição do índice.

Acesso a crédito, renda e emprego puxam a piora do índice

Entre os destaques negativos de novembro estão:

Acesso a Crédito

  • 72,0 pontos

  • -3,0% em relação a outubro

  • -14,2% na comparação anual

Renda Atual

  • 77,8 pontos

  • -2,8% na margem

  • -11,7% frente a novembro de 2024

Situação do Emprego

  • 75,0 pontos

  • -1,3% no mês

  • -10,9% no acumulado de 12 meses

Apesar das quedas, esses três componentes ainda figuram entre os menos negativos dentro do índice, o que evidencia que o cenário geral é amplamente desfavorável.

Perspectiva de consumo e consumo atual permanecem em níveis críticos

Outro fator que pesou negativamente foi a Perspectiva de Consumo, que fechou novembro aos 54,0 pontos, com retração de 1,2% em relação ao mês anterior e expressivo recuo de 30,7% na comparação anual.

Já o Consumo Atual ficou estável na margem, aos 38,4 pontos, mas segue em patamar extremamente baixo, acumulando queda de 27,6% frente a novembro de 2024.

Indicadores sobem, mas seguem em patamar extremamente deprimido

O recuo do índice geral só não foi mais intenso devido ao avanço de dois componentes que, mesmo com alta, permanecem em níveis críticos:

Momento para Compra de Bens Duráveis

  • 7,5 pontos

  • +14,5% em relação a outubro

  • -65,8% na comparação anual

Perspectiva Profissional

  • 10,9 pontos

  • +18,1% no mês

  • -48,3% frente a novembro de 2024

Os números indicam que, apesar de uma leve melhora na percepção futura, o consumidor ainda não se sente seguro para assumir compromissos financeiros de maior prazo.

Fecomércio-RS avalia deterioração persistente da confiança

Para o presidente da Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, os dados deixam claro que o pessimismo das famílias se tornou estrutural.

“Tanto pelo patamar muito aquém do ano passado quanto pelo movimento na margem, fica clara a continuidade da deterioração da confiança das famílias para consumir. As famílias parecem perceber condições mais difíceis de manter o poder de compra, mesmo com a sustentação do emprego e da renda e um alívio recente da inflação, sobretudo de alimentos”, avaliou.

Segundo ele, diante de um cenário que não sinaliza melhora no curto prazo, a cautela deve seguir pautando as decisões de compra, mesmo que o consumo não desapareça por completo.

Cautela deve continuar guiando o comportamento do consumidor

A leitura do ICF-RS de novembro reforça a avaliação de que o consumo das famílias no Rio Grande do Sul seguirá contido, com preferência por gastos essenciais e postergação de compras de maior valor.

O cenário de incerteza econômica, aliado à percepção de restrições no crédito e perda de poder de compra, mantém o consumidor em estado de alerta.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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