Ao apontar o ano novo – Erner Machado

Ao cair da noite deste  30 de dezembro  de 2025 e ao nascer do sol do próximo dia , já estaremos na véspera de 2026 que se aproxima célere trazendo,…
Erner Machado

Ao cair da noite deste  30 de dezembro  de 2025 e ao nascer do sol do próximo dia , já estaremos na véspera de 2026 que se aproxima célere trazendo, para alguns de nós brasileiros e alguns dos habitantes da terra, esperanças de bons tempos , em termos de sucesso pessoal, saúde, amor, fraternidade, felicidade e paz.

       Na meia noite do dia 31, naqueles lares em que é possível, as famílias estarão abraçadas, sorridentes e trocando desejos e augúrios , mutuamente, demonstrando amor, serenidade, paz, harmonia e principalmente almejando que o ano que se inicia no próximo minuto traga o que de melhor existe e que  a todos faça  felizes.

       Posteriormente, nos encontraremos sentados a uma mesa muito bem arrumada, sorridentes participando de uma ceia de “primeiro de ano” feita com esmero e contendo iguarias de primeira qualidade e regada a champanha  servida em taças especiais que ao serem tocadas umas às outras quando, com elas, estivermos brindando ao novo tempo, emitirão sons que  parecerão sinfonias inebriantes aos nossos ouvidos.

       Nesses momentos nos esquecemos  que a grande maioria de nós que estamos pedindo felicidade harmonia e paz  nunca nos demos contas que atualmente, o mundo enfrenta realidades de fome e  um número elevado de conflitos, com estimativas variando, mas que apontam para a existência de mais de 120 conflitos armados em curso, muitos deles internos, com as regiões da África e Oriente Médio sendo as mais afetadas, além das grandes guerras como a da Rússia contra  Ucrânia e o conflito Israel-Hamas, que impulsionam o total de conflitos para níveis não vistos desde o fim da Guerra Fria, conforme estudos recentes deste ano que acaba, ao tilintar das taças com a quais brindamos…

       Nos  esquecemos, também, que os países onde a fome se apresenta com maior intensidade estão concentrados, predominantemente, na África  e em regiões da Ásia e do Oriente Médio afetadas por conflitos e crises climáticas.

       Relatórios recentes da ONU, de 2025, destacam diversos pontos críticos.

       Fiz uma pesquisa e constatei que os  países que enfrentam os níveis mais alarmantes ou críticos de fome, que exigem ação humanitária urgente, são os a seguir enumerados:

       -Sudão Palestina (devido ao conflito) Sudão do Sul      -Haiti (no Caribe)Mali.

       -Somália República Democrática do Congo (RDC)        -Nigéria Iêmen.

       -A República Democrática do Congo, Nigéria e Sudão, em particular, registram um número extremamente elevado de pessoas em situação de desnutrição aguda (cerca de 25, 24 e 20 milhões, respectivamente).

       -O continente africano como um todo continua sendo o epicentro da insegurança alimentar, com mais de uma em cada cinco pessoas afetadas pela fome.

        Fatores como conflitos, fenômenos climáticos extremos, crises econômicas e a descontinuidade de políticas públicas são as principais causas desse cenário.

       Esquecemo-nos, ao fazer os nossos brindes que o Brasil tem uma posição ambígua:

       Saiu do “Mapa da Fome” da ONU em 2025 por reduzir a desnutrição crônica, mas o  Índice Global da Fome (GHI) de  2025 o coloca como o 8º país mais afetado pela fome na América do Sul, com piora na pontuação  em relação a 2016, indicando que “fome baixa”, mas com desafios persistentes de desigualdade e insegurança alimentar….

       Finalizo meu longo texto- pelo que peço desculpas ao meus 7ou  8 leitores-  com um profundos sentimentos de   angústia e tristeza por ter-me dado conta que, para uma grande maioria de brasileiros e de habitantes dos países acima mencionados, o ano de 2026 não terá ceia da meia noite do dia 31 e os seus pedidos de  saúde, felicidade, harmonia amor e paz serão trocados por tristezas e por lágrimas por saberem que, para eles, o ano que chegará lhes trará as mesmas realidades de morte, angústias, sofrimento, infelicidade e fome…

       E, por isso não farão pedidos até porque sabem que, para eles, não existem esperanças de qualquer  natureza…

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