Endividamento das famílias no RS
Endividamento das famílias no RS voltou a apresentar avanço em novembro de 2025, segundo dados divulgados pela Fecomércio-RS, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias (PEIC-RS), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC).
O levantamento indica que 85% das famílias gaúchas estavam endividadas, registrando um leve aumento em relação a outubro e reforçando sinais de pressão financeira sobre os lares, especialmente entre aqueles com menor renda.
Os dados foram coletados em Porto Alegre, nos últimos dez dias de outubro, e consideram exclusivamente dívidas decorrentes da tomada de crédito, como cartão de crédito, empréstimos pessoais e financiamentos, sem incluir contas básicas de consumo, como água, energia elétrica ou telefonia.
📈 Endividamento avança na margem, mas ainda abaixo de 2024
De acordo com a pesquisa, o percentual de famílias endividadas subiu de 84,6% em outubro para 85,0% em novembro de 2025.
Apesar da alta mensal, o índice segue abaixo do registrado no mesmo período de 2024, quando 93% das famílias declaravam algum tipo de dívida, o que indica uma desaceleração no comparativo anual.
Especialistas apontam que esse movimento reflete uma combinação entre mercado de trabalho ainda aquecido, que sustenta a renda, e um ambiente de crédito mais caro e restrito, que limita o avanço mais acelerado do endividamento.
🚨 Inadimplência cresce pelo segundo mês consecutivo
O levantamento da PEIC-RS também mostra um dado preocupante: o percentual de famílias com contas em atraso aumentou pelo segundo mês seguido, passando de 24,5% em outubro para 25,5% em novembro de 2025.
Esse avanço indica que, embora muitas famílias ainda consigam acessar crédito, uma parcela crescente enfrenta dificuldades para manter os pagamentos em dia, principalmente em um cenário de juros elevados, que encarecem parcelas e ampliam o comprometimento da renda mensal.
📉 Menor número da história entre os que não conseguem pagar dívidas
Em contrapartida, um dado positivo chama atenção na pesquisa.
O percentual de famílias que afirmaram não ter condições de pagar nenhuma parte das dívidas em atraso recuou para 1,3%, o menor patamar de toda a série histórica da PEIC-RS.
Esse indicador sugere que, apesar do aumento da inadimplência, a maioria das famílias ainda consegue renegociar, pagar parte dos débitos ou manter alguma capacidade de reorganização financeira.
💸 Famílias de menor renda sentem mais o peso do crédito
A análise por faixa de renda revela que o avanço da inadimplência é mais intenso entre famílias com renda de até 10 salários mínimos.
Nesse grupo, o percentual de contas em atraso subiu de 29,8% em outubro para 31,5% em novembro de 2025.
Já entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, o movimento foi inverso: houve queda da inadimplência, de 6,6% para 5,7%, indicando maior capacidade de absorver o impacto dos juros elevados.
📊 Comprometimento da renda atinge maior nível desde 2019
Outro dado que acende o alerta é o comprometimento médio da renda das famílias de menor renda, que atingiu 29,9% em novembro de 2025, o maior nível desde novembro de 2019.
Segundo a Fecomércio-RS, esse indicador vem apresentando alta contínua ao longo de todo o ano de 2025, demonstrando que o crédito — cada vez mais caro — ocupa uma fatia crescente do orçamento mensal, reduzindo a margem para despesas essenciais e aumentando o risco de inadimplência.
🗣️ Fecomércio-RS alerta para impacto dos juros elevados
Para o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn, os dados ainda não configuram um cenário de endividamento fora de controle, mas exigem atenção.
“Por mais que os dados da PEIC não mostrem um quadro de endividamento descontrolado, o atual cenário de juros elevados e crédito mais restrito limita uma melhora mais consistente. Nos orçamentos menores, mesmo com o suporte do emprego em 2025, o crédito mais caro vai ocupando um espaço maior nas despesas mensais, elevando o risco de inadimplência”, avalia.
🔎 Cenário econômico exige cautela das famílias
A combinação entre juros altos, crédito restrito e comprometimento crescente da renda indica que os próximos meses exigirão ainda mais planejamento financeiro das famílias gaúchas, especialmente das classes de menor poder aquisitivo.
Especialistas recomendam:
-
Priorizar o pagamento de dívidas com juros mais altos
-
Evitar novas compras parceladas sem planejamento
-
Buscar renegociação antecipada em caso de dificuldade





















