Diretor baleado recusa atendimento de socorrista negro no RS

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Diretor baleado é investigado por injúria racial contra socorrista do Samu

Diretor de esportes municipal é alvo de investigação da Polícia Civil após suposta injúria racial contra um socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Sentinela do Sul, município localizado a cerca de 100 km de Porto Alegre.

O caso ganhou repercussão após testemunhas relatarem que o servidor público teria se recusado a ser atendido porque o profissional responsável pelo socorro era negro.

O que se sabe até agora

Segundo o delegado Luciano Rodrigues, responsável pelo inquérito, o episódio ocorreu após disparos que deixaram um motoboy morto, nas proximidades do ginásio municipal.

O diretor de esportes, que estava no local, acabou baleado por um tiro que atravessou o portão do ginásio e o atingiu pelas costas.

Quando o Samu chegou para prestar atendimento, testemunhas afirmam que o diretor queria ser atendido por “um branco”, recusando o socorro oferecido pelo profissional negro que integrava a equipe de emergência.

O delegado reforça que várias pessoas presenciaram a cena, embora o próprio socorrista não tenha registrado ocorrência formal por receio de represálias.

Mesmo assim, devido à repercussão e ao teor do caso, a Polícia Civil abriu inquérito de ofício, conforme prevê a legislação.

Histórico de acusações contra o diretor

A investigação atual não é a primeira envolvendo o servidor público.

Há aproximadamente três anos, o mesmo diretor já havia sido alvo de uma denúncia semelhante por suposta injúria racial contra uma servidora municipal.

Na ocasião, ele não chegou a ser indiciado pela falta de provas suficientes.

O delegado Rodrigues afirma que, caso confirmados os fatos, o diretor poderá ser indiciado por injúria racial.

O diretor baleado foi inicialmente atendido no hospital da cidade e, posteriormente, transferido para Porto Alegre, onde passou por procedimentos cirúrgicos.

Prefeitura de Sentinela do Sul se manifesta

A Prefeitura de Sentinela do Sul informou, em nota publicada nas redes sociais, que não recebeu denúncia oficial sobre o caso envolvendo o diretor.

O Executivo municipal afirmou que, caso a denúncia seja formalizada, os fatos serão devidamente apurados.

A administração ainda não se pronunciou sobre o histórico de denúncias contra o servidor.

Próximos passos da investigação

Segundo o delegado Luciano Rodrigues, depoimentos serão colhidos a partir de segunda-feira (24).

A polícia busca confirmar as circunstâncias da recusa de atendimento e o teor das falas atribuídas ao diretor, relatadas de forma semelhante por testemunhas.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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