Surto de meningite acende alerta no Rio Grande do Sul

Surto de meningite acende alerta no Rio Grande do Sul A meningite no RS volta preocupar as autoridades de saúde após a confirmação de novos surtos em Pelotas, no litoral…
Surto de meningite acende alerta no Rio Grande do Sul
Foto: IA

Surto de meningite acende alerta no Rio Grande do Sul

A meningite no RS volta preocupar as autoridades de saúde após a confirmação de novos surtos em Pelotas, no litoral sul do Estado.

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) atualizou o alerta epidemiológico depois que o município registrou dois novos casos do tipo C, somando-se a um terceiro ocorrido em agosto.

Em setembro, Pelotas já havia enfrentado outro surto, dessa vez causado pelo tipo Y da bactéria Neisseria meningitidis.

A situação fez com que o governo do Rio Grande do Sul emitisse uma recomendação temporária de reforço vacinal para crianças que já receberam a dose da meningocócica C, ampliando a proteção contra os principais sorogrupos circulantes.

Surto em Pelotas e casos na região Sul do Estado

De acordo com o Cevs, os três casos do tipo C não têm relação entre si, mas configuram um surto por terem ocorrido em menos de três meses.

Os casos de meningite do tipo Y, registrados em setembro, afetaram pessoas entre 5 meses e 72 anos, enquanto os do tipo C atingiram adultos de 24 a 59 anos.

Além de Pelotas, Canguçu confirmou dois casos do tipo Y, o que ainda não caracteriza surto, pois seriam necessários ao menos três registros no mesmo intervalo. Ambos os municípios pertencem à 3ª Coordenadoria Regional de Saúde.

Pelotas também havia confirmado, em maio, um caso isolado do tipo C, que não entrou na contagem atual por ter ocorrido fora do período de referência.

Crescimento de casos e mortes por meningite no RS

O Rio Grande do Sul já soma 62 casos e oito mortes em 2025, superando os números de 2024, quando foram 53 infecções e sete óbitos.

As ocorrências de 2025 foram registradas em 14 das 18 coordenadorias regionais de saúde, com predomínio do sorogrupo B (41,9%), seguido pelo C (22,6%) e Y (20,9%).

No ano anterior, o sorogrupo C era o mais comum, representando 39,6% dos casos.
Além de Pelotas, Bento Gonçalves também registrou um surto de meningite tipo B, entre julho e agosto deste ano, com três casos confirmados.

Vacinação: reforço é essencial para conter surtos

A Secretaria Estadual da Saúde (SES) reforça que pais e responsáveis de crianças menores de 5 anos em Pelotas e Canguçu devem procurar as unidades de saúde para verificar a situação vacinal.

A recomendação é aplicar o reforço com a vacina meningocócica C, quando indicado.
Adolescentes de 11 a 14 anos também devem se vacinar com a meningocócica ACWY, disponível gratuitamente pelo SUS.

O Programa Nacional de Imunizações (PNI) prevê:

  • Vacina meningocócica C aos 3 e 5 meses (duas doses iniciais);

  • Reforço com a ACWY aos 12 meses;

  • Dose única da ACWY entre 11 e 14 anos.

Desde julho de 2025, o reforço aos 12 meses passou a ser feito exclusivamente com a ACWY, substituindo a vacina meningocócica C, ampliando a proteção contra quatro tipos da bactéria (A, C, W e Y).

Orientações do Cevs e medidas preventivas

O Centro Estadual de Vigilância em Saúde orienta que os profissionais de saúde mantenham atenção redobrada para identificar casos suspeitos.
As medidas prioritárias incluem:

  • Detecção precoce dos sintomas;

  • Manejo clínico imediato;

  • Quimioprofilaxia para contatos próximos, preferencialmente nas primeiras 24 horas após a confirmação do caso.

Pessoas que tiveram contato direto com o paciente infectado — como familiares, colegas de trabalho ou profissionais de creche — devem receber medicação preventiva, mesmo que já estejam vacinadas.

Sintomas exigem atendimento imediato

A meningite bacteriana é uma infecção grave que pode evoluir rapidamente.
Os principais sintomas são:

  • Febre alta súbita;

  • Dor de cabeça intensa;

  • Rigidez na nuca;

  • Náuseas e vômitos;

  • Sensibilidade à luz;

  • Sonolência e confusão mental;

  • Manchas vermelhas ou roxas na pele;

  • Convulsões.

Em crianças menores de dois anos, sinais como choro constante, irritabilidade e abaulamento da moleira devem ser observados com atenção.
Em qualquer suspeita, é fundamental procurar atendimento médico imediato, levando a caderneta de vacinação.

Prevenção e conscientização

Especialistas reforçam que a vacinação é a principal forma de evitar surtos.

O reforço das campanhas de imunização, aliado ao monitoramento constante do Cevs, é essencial para conter o avanço da doença e evitar novas mortes.

A população deve estar atenta e buscar informações apenas em fontes oficiais, como a Secretaria Estadual da Saúde (SES) e o Ministério da Saúde, para combater a desinformação sobre vacinas e garantir a proteção coletiva.

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Jornalista com formação pela UNISINOS (2010) e fundador do Litoralmania, o portal de notícias mais antigo em atividade no interior do RS. Atua desde 2002 na gestão completa do veículo, com ampla experiência em jornalismo digital, produção de conteúdo, projetos e relacionamento com o público.

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