Pinguins mortos no litoral do RS: entenda o fenômeno
O registro de pinguins mortos no litoral do RS tem chamado a atenção de moradores e turistas.
Nos últimos dias, seis pinguins-de-magalhães e um lobo-marinho foram encontrados sem vida na praia de Costa do Sol, em Cidreira, reforçando um cenário que se repete anualmente em diferentes pontos do Brasil.
De acordo com dados do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, vinculado à Petrobras, mais de 3.300 pinguins já foram registrados entre Santa Catarina e Rio de Janeiro somente neste ano.
O Rio Grande do Sul, conhecido por ser rota migratória dessas aves marinhas, também aparece entre os estados mais afetados.
Fenômeno não é incomum, dizem pesquisadores
Segundo o biólogo Maurício Tavares, pesquisador do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS), o fenômeno é natural e recorrente.
Ele explica que os pinguins-de-magalhães, assim como os lobos-marinhos, enfrentam grandes desafios durante a migração e muitos não resistem.
“Todos os anos morrem milhares de pinguins e perto de uma centena de lobos-marinhos, que são animais típicos desta estação. Este ano, inclusive, os números estão abaixo da média registrada em outros períodos”, afirma Tavares.
O monitoramento do litoral gaúcho ocorre semanalmente desde 2012 e cobre cerca de 130 km de extensão, entre Torres e Palmares do Sul.
O trabalho é fundamental para entender o impacto das variações climáticas e da seleção natural sobre essas espécies.
Seleção natural: por que tantos animais jovens morrem?
Um padrão se repete ao longo dos anos: a maioria dos animais encontrados mortos é composta por jovens no primeiro ano de vida.
Segundo o pesquisador, esses filhotes ainda não possuem resistência suficiente para enfrentar viroses e outros obstáculos naturais.
“Muitos não conseguem sobreviver à travessia marítima. Isso é parte da seleção natural, que garante que apenas os mais fortes consigam completar o ciclo de vida”, explica Tavares.
Pinguins não estão perdidos
Um equívoco comum é acreditar que os pinguins chegam debilitados às praias por estarem perdidos.
No entanto, os biólogos esclarecem que esse comportamento faz parte da própria dinâmica da espécie e não significa desorientação.
“Esse fenômeno ocorre há centenas de anos. É o instinto migratório da espécie, não um erro de navegação”, reforça o especialista.
O ciclo migratório dos pinguins-de-magalhães
Essas aves marinhas se reproduzem em colônias localizadas no sul da Argentina e do Chile. Durante o inverno do hemisfério Sul, migram em direção ao litoral brasileiro, buscando águas mais quentes e alimento.
O ciclo é marcado por etapas específicas:
-
Outubro e novembro: período de postura dos ovos.
-
Dezembro a fevereiro: nascimento dos filhotes.
-
Março e abril: os jovens trocam de plumagem e começam a ganhar independência.
-
Maio a agosto: ocorre a migração rumo ao norte, quando muitos são avistados nas praias do Brasil.
Os registros de mortes são mais comuns entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, mas há casos documentados até no Nordeste, em estados como Bahia e Ceará.
Fatores climáticos, como a ocorrência do fenômeno La Niña, podem aumentar significativamente o número de animais mortos.
Impactos ambientais e importância do monitoramento
O acompanhamento contínuo permite identificar padrões e avaliar os impactos ambientais sobre as populações dessas espécies.
Apesar do grande número de carcaças, os especialistas reforçam que se trata de um processo natural, ligado ao equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
Para turistas e moradores que encontram animais debilitados ou mortos, a recomendação é não tocar e acionar órgãos ambientais ou equipes de monitoramento locais, que possuem preparo para lidar com a situação.




















