Ex-gestora é investigada por matar até 30 cães por semana no RS

Ex-gestora da causa animal de Canoas, no Rio Grande do Sul, é o principal alvo da Operação Carrasco, deflagrada nesta quinta-feira (4) pela Polícia Civil. O nome da suspeita não…
Corpo, Violência no campo

Ex-gestora da causa animal de Canoas, no Rio Grande do Sul, é o principal alvo da Operação Carrasco, deflagrada nesta quinta-feira (4) pela Polícia Civil.

O nome da suspeita não foi divulgado pela polícia.

Ela é investigada há oito meses por suspeita de maus-tratos contra animais e estelionato, após denúncias de que usava a estrutura da secretaria municipal para promover a morte em massa de cães e gatos, além de desviar recursos por meio de uma ONG de sua propriedade.

Ex-gestora investigada: como funcionava o esquema denunciado

De acordo com as investigações, a ex-secretária, que tomou posse no início da atual gestão e pediu exoneração em agosto, teria realizado de 15 a 30 eutanásias por semana em animais resgatados, prática que, segundo a polícia, era usada como alternativa mais barata ao tratamento veterinário.

Durante o cumprimento de seis mandados de busca e apreensão, foram encontrados pelo menos 14 animais mortos em sacos plásticos dentro de um freezer, além de um container sem ventilação, onde gatos eram mantidos em más condições.

Relatos e provas coletadas

A delegada Luciane Bertoletti, da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, revelou que servidores e voluntários da Secretaria do Bem-Estar Animal denunciaram a “matança indiscriminada” e forneceram imagens dos animais mortos.

Testemunhas relataram que os corpos eram levados duas vezes por semana para incineração em uma universidade.

“É um caso de eutanásia em excesso, sem critério técnico e em local inadequado, insalubre e sem condições mínimas de cuidado”, afirmou Bertoletti.

Participação de ONGs e apreensões

A operação contou com apoio do Instituto-Geral de Perícias (IGP) e de ONGs de proteção animal, que auxiliaram na retirada dos sobreviventes e no encaminhamento para abrigos seguros.

Além disso, a polícia encontrou cerca de R$ 100 mil em espécie na residência da ex-secretária.

O dinheiro seria proveniente de doações feitas via Pix à ONG Instituto Paula Lopes, que supostamente usava campanhas de resgate para atrair recursos.

Desvios e irregularidades

Segundo a investigação, Paula utilizava a ONG tanto para legitimar pedidos de doação quanto para levar animais ao gabinete da secretaria, onde parte deles era sacrificada.

Haveria indícios de que até mesmo bichos com tutores e já sob cuidados da secretaria teriam sido mortos.

Na manhã desta quinta-feira, agentes cumprem mandados em diferentes locais: em Canoas, incluindo a sede da própria secretaria, em Porto Alegre e também em Arroio dos Ratos, em um sítio pertencente a uma familiar da suspeita.

Informações indicam que a mesma prática estaria sendo repetida nesse endereço.

“Empresária” e “ativista da causa animal”

No site da prefeitura de Canoas, a mulher ainda consta como secretária, apresentada como “empresária e ativista da causa animal há mais de 20 anos”.

Ela foi fundadora do Projeto Adoradores de Vira-Latas em 2000 e, em 2018, criou uma instituição que até hoje aparece ativa em suas redes sociais.

Nos perfis pessoais e da ONG, vídeos mostram resgates de cães em más condições, mas a polícia aponta que muitos animais não recebiam tratamento adequado.

Paula também ganhou visibilidade ao atuar em resgates durante a enchente que atingiu a região no ano passado.

Contraponto

O espaço segue aberto para manifestações.

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Amanda da Silveira Ferrari é estudante de Jornalismo pela UNISINOS, com experiência em produção de conteúdo, jornalismo de dados e comunicação pública.

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