Marinha do Brasil nega aumento de velocidade na travessia
Marinha do Brasil nega aumento de velocidade nas lanchas que realizam a travessia entre Rio Grande e São José do Norte, no Litoral Sul gaúcho.
O pedido, feito pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), pretendia elevar o limite dos atuais 8 nós (14,8 km/h) para 20 nós (37 km/h), o que reduziria pela metade o tempo do trajeto.
Com a negativa, a viagem entre as duas cidades continua levando cerca de 30 minutos, atendendo aproximadamente 4 mil passageiros diariamente, que dependem do transporte pela Lagoa dos Patos.
Metroplan justificava pedido com base na travessia de Porto Alegre
A Metroplan argumentou que a autorização traria mais agilidade e eficiência ao serviço, tomando como referência a travessia entre Porto Alegre e Guaíba, onde as embarcações já operam a 20 nós.
O pedido fazia parte da reta final do processo de elaboração de um novo edital de licitação do transporte hidroviário, previsto para ser concluído em março de 2026.
O documento deve estabelecer contratos, indicadores de qualidade e critérios para embarcações.
Segundo o superintendente da Metroplan, Francisco Hörbe, o edital está “90% pronto” e deve trazer melhorias no serviço.
Marinha cita riscos de segurança e histórico de incidentes
Em resposta à solicitação, a Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul negou o pedido, alegando restrições técnicas e de segurança no canal.
Entre os fatores apontados estão a largura limitada, o tráfego intenso e o histórico de incidentes na área.
Diante disso, a Marinha determinou que o limite atual de velocidade será mantido, garantindo a segurança da navegação e dos passageiros.
Passageiros reclamam de serviço precário
Em julho, a Metroplan realizou fiscalizações na travessia, atualmente operada pela empresa Transnorte em regime emergencial.
Usuários reclamaram de problemas como o estado precário das embarcações, horários reduzidos e a limitação de pagamento exclusivamente em dinheiro.
A passagem custa atualmente R$ 5,95, mas uma revisão tarifária aprovada em audiência pública deve elevar o valor para R$ 6,50 ainda em setembro, após homologação da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (AGERS).
Hörbe reforça que o reajuste é necessário para viabilizar a nova licitação e confirmou a implementação de bilhetagem eletrônica e outras formas de pagamento.
Ponte é promessa há mais de 50 anos
Enquanto o transporte por lanchas segue como única alternativa para passageiros, a população das duas cidades ainda aguarda a construção da ponte entre Rio Grande e São José do Norte, uma demanda histórica de mais de cinco décadas.
O projeto é considerado estratégico por conectar a BR-392 à BR-101. Em maio deste ano, a empresa catarinense Nova Engenharia S.A. venceu a licitação do Dnit para elaborar os projetos básico e executivo, com prazo de entrega em dois anos.
Atualmente, além das lanchas para passageiros, balsas transportam veículos, mas as filas podem ultrapassar uma hora de espera, chegando em alguns casos a mais de um dia para veículos pesados.





















