Praias do RS: A Praia do Cassino, localizada no Litoral sul do Rio Grande do Sul, é o cenário de uma disputa histórica pelo título de maior faixa de areia do Brasil.
Com 218 km de extensão contínua, ligando o município de Rio Grande à Barra do Chuí, na fronteira com o Uruguai, a orla desperta curiosidade não só pela dimensão — visível até do espaço —, mas também por polêmicas envolvendo a Praia do Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar, que reivindica parte do mesmo trecho como atrativo turístico próprio.
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Apesar de ser uma única faixa de areia, os limites municipais dividem oficialmente a região: 62,05 km correspondem à Praia do Cassino (Rio Grande) e 155,95 km à Praia do Hermenegildo (Santa Vitória do Palmar), segundo o IBGE.
Ainda assim, o trecho é reconhecido por instituições como o ICMBio e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) como uma das maiores praias contínuas do planeta.
Disputa entre prefeituras e a lenda do Guinness World Records
A disputa por visibilidade ganhou força com a popularização da expressão “maior praia do mundo”, atribuída ao Cassino, supostamente reconhecida pelo Guinness World Records em 1994.
No entanto, a instituição confirmou que não monitora essa categoria, e pesquisas como a do jornalista Willy César, autor do livro A cidade do Rio Grande: do Big Bang a 2015, apontam que essa menção só apareceu em edições regionais brasileiras do livro e foi retirada anos depois, após contestação de Santa Vitória do Palmar.
Para o secretário municipal de Cultura e Turismo de Santa Vitória do Palmar, Ismáiler Borges, o título não pode ser exclusivo do Cassino:
“A Praia do Cassino se promove como a maior do mundo considerando a extensão até a Barra do Chuí, território de Santa Vitória. Essa é a principal divergência.”
Paisagens únicas e atrativos que encantam turistas
Independentemente da polêmica, a Praia do Cassino e o Hermenegildo oferecem uma experiência singular.
Ao longo da faixa, é possível encontrar animais marinhos, dunas, vegetação costeira, tapetes de conchas e atrações icônicas, como os destroços do cargueiro Altair, encalhado desde 1976 a 16 km do Cassino e que, apesar do apelo turístico, pode desaparecer com a corrosão natural nos próximos anos.
A região também abriga a Trilha Cassino-Barra do Chuí, reconhecida pela Rede Brasileira de Trilhas, que percorre toda a orla e integra a famosa Trilha Nacional do Oiapoque ao Chuí, desafiando aventureiros em jornadas que duram de 6 a 9 dias a pé, de bicicleta ou a cavalo.
Imensidão visível do espaço e fenômeno geográfico único
A grandiosidade da região é tanta que a orla foi registrada em alta definição pelo satélite europeu Copernicus Sentinel, em 2023, destacando-se como um dos trechos mais homogêneos do litoral mundial.
Segundo especialistas, a diferença entre medições oficiais (que variam de 218 km a 254 km) ocorre devido ao paradoxo da linha costeira: quanto mais detalhada a escala de medição, maior é o valor obtido, já que costas naturais apresentam formas complexas impossíveis de mensurar com precisão absoluta.



















